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Sucata Eletrônica: entenda suas categorias e classificações

O Blog da Polen é um espaço exclusivamente dedicado ao compartilhamento, divulgação e publicação de notícias, artigos, colunas e relatórios sobre o universo dos resíduos sólidos no Brasil e no mundo. Aqui você encontrará conteúdo relevante, escrito por profissionais com experiência e vivência no setor. Dentre as pautas a serem abordadas, estão: guias de boas-práticas na gestão de resíduos; legislação e regulação do setor; novas tecnologias, soluções e aplicações para o reaproveitamento, reuso e reciclagem dos resíduos; economia-circular; logística-reversa e muito mais!

Sucata Eletrônica: entenda suas categorias e classificações

Sucata Eletrônica: entenda suas categorias e classificações

O Brasil é o segundo país que mais gera sucata eletrônica per capita da América Latina, de acordo com relatório da ONU de 2015, com mais de um milhão e quatrocentas mil toneladas geradas por ano. Uma variedade tão grande de resíduos necessita ser dividida em categorias menores para uma gestão adequada. É possível que você não saiba em qual categoria a sucata eletrônica gerada pela sua empresa se enquadra, certo? É natural, afinal, os parâmetros internacionais mudaram recentemente. Neste texto, você entenderá quais categorias são essas, como a sucata eletrônica é classificada e quais seus possíveis efeitos no ecossistema.

O que é sucata eletrônica?

Comecemos do início. A fim de entendermos o que é sucata eletrônica, precisamos reforçar o que o termo sucata significa. Basicamente, de acordo com o decreto Nº 18.955/1997, anexo IVsucata é qualquer resíduo cuja utilização é inviável para sua proposta inicial, mas que é passível de reciclagem e reutilização em outras cadeias produtivas. Sendo assim, podemos salientar um primeiro ponto importante: este resíduo será reaproveitado em algum processo produtivo.

A sucata eletrônica, também conhecida como resíduo eletroeletrônico ou REEE, é uma categoria de sucata proveniente de equipamentos elétricos e eletrónicos. O artigo 3º da Diretiva 2002/96/CE do Parlamento Europeu entende como:

“a)  “Equipamentos eléctricos e electrónicos”, ou “EEE“, os equipamentos cujo adequado funcionamento depende de correntes eléctricas ou campos electromagnéticos, bem como os equipamentos para geração, transferência e medição dessas correntes e campos, pertencentes às categorias definidas no anexo I A e concebidos para utilização com uma tensão nominal não superior a 1000 V para corrente alterna e 1500 V para corrente contínua;

b) “Resíduos de equipamentos eléctricos e electrónicos” ou “REEE“, os equipamentos eléctricos ou electrónicos que constituem resíduos, nos termos da alínea a) do artigo 1.o da Directiva 75/442/CEE, incluindo todos os componentes, subconjuntos e materiais consumíveis que fazem parte do produto no momento em que este é descartado.”

No Global E-waste Monitor 2017, relatório desenvolvido em conjunto pela Organização das Nações Unidas (ONU), Telecommunication Union (ITU) e International Solid Waste Association (ISWA), o REEE é classificado como todos os itens elétricos ou eletrônicos e suas partes que foram descartados como resíduos pelos proprietários, sem a intenção do reuso.

Categorias de sucata eletrônica

São 6 diferentes categorias de sucata eletrônica utilizadas internacionalmente

São 6 diferentes categorias de sucata eletrônica utilizadas internacionalmente

As características específicas de cada categoria de sucata eletrônica acarretam na diferença do tempo de vida útil, no valor econômico e nos impactos possíveis caso haja uma gestão inadequada. Da mesma forma, as categorias norteiam os distintos processos tecnológicos no tratamento e disposição dos materiais. Desde 2018, a Diretiva unificou a sucata eletrônica em 6 categorias principais para uso internacional:

  1. Equipamentos de Regulação de Temperatura: Frigoríficos, Congeladores, Equipamentos de distribuição automática de produtos frios, Equipamentos de ar condicionado, Equipamentos desumidificadores, Bombas de calor, Radiadores a óleo, Outros equipamentos de regulação de temperatura que utilizem para o efeito outros fluidos que não a água;
  2. Ecrãs, monitores e equipamentos com ecrãs de superfície superior a 100 cm2: Ecrãs, Aparelhos de televisão, Molduras fotográficas, LCD, Monitores, Computadores portáteis «laptop», Computadores portáteis «notebook», Subcategoria – Outros EEE;
  3. Lâmpadas: Lâmpadas fluorescentes clássicas, Lâmpadas fluorescentes compactas, Lâmpadas fluorescentes, Lâmpadas de descarga de alta intensidade, incluindo lâmpadas de sódio sob pressão e Lâmpadas de haletos metálicos, Lâmpadas de sódio de baixa pressão, LED, Subcategoria – Outros EEE;
  4. Equipamentos de grandes dimensões com qualquer dimensão externa superior a 50 cm: Máquinas de lavar roupa, Secadores de roupa, Máquinas de lavar louça, Fogões, Fornos eléctricos, Placas de fogão eléctricas, Luminárias, Equipamento para reproduzir sons ou imagens, Equipamento musical (excluindo tubos de órgãos instalados em igrejas), Aparelhos utilizados no tricô e tecelagem, Macrocomputadores (mainframes), Impressoras de grandes dimensões, Copiadoras de grandes dimensões, Caça -níqueis (slot machines) de grandes dimensões, Dispositivos médicos de grandes dimensões, Instrumentos de monitorização e controlo de grandes dimensões, Distribuidores automáticos de grandes dimensões que fornecem produtos e dinheiro, Painéis fotovoltaicos, Subcategoria – Outros EEE;
  5. Equipamentos de pequenas dimensões com dimensões externas até 50 cm: Aspiradores, Aparelhos de limpeza de alcatifas, Aparelhos utilizados na costura, Luminárias, Micro-ondas, Equipamentos de ventilação, Ferros de engomar, Torradeiras, Facas elétricas, Cafeteiras elétricas, Relógios, Máquinas de barbear elétricas, Balanças, Aparelhos para cortar o cabelo e outros aparelhos para o cuidado do corpo, Calculadoras de bolso, Aparelhos de rádio, Câmaras de vídeo, Gravadores de vídeo, Equipamentos de alta-fidelidade, Instrumentos musicais, Equipamento para reproduzir sons ou imagens, Brinquedos elétricos e eletrónicos, Equipamentos de desporto, Computadores para ciclismo, mergulho, corrida, remo, e outros desportos, Detectores de fumo, Reguladores de aquecimento, Termóstatos;
  6. Equipamentos informáticos e de telecomunicações de pequenas dimensões (com nenhuma dimensão externa superior a 50 cm): Telemóveis, GPS, Calculadoras de bolso, Routers, Computadores pessoais, Impressoras, Telefones, Consumíveis de Impressão, Subcategoria – Outros EEE.

Nacionalmente, estes equipamentos ainda são divididos da seguinte forma:

  • linha branca: refrigeradores e congeladores, fogões, lavadoras de roupa e louça, secadoras, condicionadores de ar;
  • linha marrom: monitores e televisores de tubo, plasma, LCD e LED, aparelhos de DVD e VHS, equipamentos de áudio, filmadoras;
  • linha azul: batedeiras, liquidificadores, ferros elétricos, furadeiras, secadores de cabelo, espremedores de frutas, aspiradores de pó, cafeteiras;
  • linha verde: computadores desktop e laptops, acessórios de informática, tablets e telefones celulares.

A classificação da sucata eletrônica

A sucata eletrônica é enquadrada como classe I

A sucata eletrônica é enquadrada como classe I

A classificação de resíduos sólidos no Brasil é orientada pela NBR 10.004/04 e se baseia na identificação da atividade de origem, componentes e características do material, a partir de um comparativo com substâncias que possuem um impacto conhecido à saúde e ao meio ambiente, visando a adequada destinação sem comprometer o ecossistema. Segundo a legislação, as sucatas eletrônicas são classificadas como classe I – Perigosos: Aqueles que apresentam periculosidade ou uma das seguintes características: inflamabilidade, corrosividade, toxicidade, reatividade e/ou patogenicidade.

Entretanto, enquanto o equipamento está vedado ele é considerado seguro, por isso que celulares e televisões podem ser utilizados sem preocupação. Quando é violado ele apresenta sérios riscos à saúde e ao meio ambiente.

Impactos na saúde e no meio ambiente

Como dito, quando indevidamente disposta, a sucata eletrônica oferece grandes riscos ao ecossistema. A tabela abaixo, da Universidade do Estado de Santa Catarina, detalha os principais materiais utilizados em um computador:

Material % em relação

ao peso do

computador

% que pode

ser reciclado

Localização no

computador

Plástico 22.9907 20% Revestimento da CPU e monitor. Inclui compostos orgânicos e outros óxidos de sílica.
Chumbo 6.2988 5% Estruturas metálicas do computador

Placas de circuito impresso

Tubo de raios catódicos de monitores

Alumínio 14.172 80% Condutores

Tubo de raios catódicos de monitores

Placas de circuito impresso

Germânio 0.0016 0% Placas de circuito impresso
Gálio 0.0013 0% Placas de circuito impresso
Ferro 20.471 80% Estruturas metálica do computador
Estanho 1.007 70% Circuitos integrados

Placas de circuito impresso

Cobre 6.928 90% Fios e cabos

Placas de circuito impresso

Tubo de raios catódicos

Bário 0.0315 0% Válvulas eletrônicas
Níquel 0.8503 80% Estrutura metálica do computador

Placas de circuito impresso

Tubo de raios catódicos de monitores

Zinco 22.046 60% Baterias
Tântalo 0.0157 0% Placas de circuito impresso

Fontes de energia

Índio 0.0016 60% Placas de circuito impresso
Vanádio 0.0002 0% Tubo de raios catódicos de monitores
Berílio 0.0157 0% Conectores de fios e cabos
Ouro 0.0016 98% Placas de circuito impresso

Condutores elétricos

Európio 0.0002 0% Placas de circuito impresso
Titânio 0.0157 0% Estrutura metálica do computador
Rutênio 0.0016 80% Placas de circuito impresso
Cobalto 0.0157 85% Placas de circuito impresso

Tubo de raios catódicos de monitores

Placas de circuito impresso

Paládio 0.0003 95% Placas de circuito impresso

Condutores elétricos

Manganês 0.0315 0% Estrutura metálica do computador
Prata 0.0189 98% Placas de circuito impresso

Condutores elétricos

Antinomia 0.0094 0% Tubo de raios catódicos de monitores

Placas de circuito impresso

Bismuto 0.0063 0% Tubo de raios catódicos de monitores

Placas de circuito impresso

Cromo 0.0063 0% Estrutura metálica do computador
Cádmio 0.0094 0% Baterias
Selênio 0.0016 70% Placas de circuito impresso
Nióbio 0.0002 0% Estrutura metálica do computador.
Ítrio 0.0002 0% Tubo de raios catódicos de monitores
Mercúrio 0.0022 0% Placas de circuito impresso
Arsênio 0.0013 0% Circuitos integrados
Sílica 24.880 0% Vidro do monitor

O contato com os elementos químicos a seguir são nocivos a nossa saúde:

  1. Chumbo: Prejudicial ao cérebro e sistema nervoso; afeta o sangue, rins sistema digestivo e reprodutor.
  2. Cobre: Causa intoxicações; afeta o fígado.
  3. Mercúrio: Tem ação teratogênica, provoca lesões no cérebro; tem efeito acumulativo e altamente tóxico entre concentrações de 3g a 30g.
  4. Cádmio: Favorece a intoxicação crônica, provoca descalcificação óssea, lesões nos rins e pulmões, e possui efeito teratogênicos e cancerígenos.
  5. Bário: Age no sistema nervoso central; eleva a pressão arterial e causa problemas cardíacos.
  6. Alumínio: Favore o Alzheimer e é tóxico para as plantas;
  7. Arsênio: Prejudica o sistema nervoso; implica em doenças de pele e câncer pulmonar.
  8. Cromo: Concentra-se na pele, pulmões, músculo e tecido adiposo; afeta o fígado e rins; favorece a anemia e o câncer pulmonar.
  9. Níquel: Acarreta em problemas no fígado e no sangue, irritação dos pulmões, bronquite crônica, reações alérgicas, ataques asmáticos e pode ser cancerígeno.
  10. Zinco: Causa secura na garganta, tossa, fraqueza, dor generalizada, vômito, arrepios, febre e náusea.
  11. Prata: 10g de nitrato de prata são letais ao homem; é acumulativo.

Além dos danos que causam à saúde, ainda possuem efeitos negativos ao meio ambiente. Os metais pesados contaminam o solo e podem atingir os lençóis freáticos, infectando mananciais. Caso essa água seja utilizada em qualquer atividade que venha a ter contato com o homem, como abastecimento público, irrigação de plantas ou criação de animais, o homem também será contaminado. Ainda, os resíduos eletroeletrônicos possuem BFRs (Retardantes de Chama Bromados) que, se queimados, liberam substâncias tóxicas ao meio ambiente.

Sendo assim, eles devem ser separados dos outros resíduos e destinados a locais autorizados aptos ao tratamento. A Lei 12.305 ordena a prioridade na gestão dos resíduos, indicando que a redução na produção dos REEE, sua reutilização e reciclagem devem ser métodos de destinação preferenciais. Além disso, institui obrigatoriedade da logística reversa a todos os materiais considerados perigosos, o que significa que as empresas geradoras de sucata eletrônica devem coletar os produtos após o uso (seja doméstico ou industrial) e reintegrá-lo na cadeia produtiva. Dessa forma, instigou-se o mercado de sucata eletroeletrônica, que promove a compra e venda do material.

Os metais presentes nesses objetos possuem um alto valor. É estimado pela UNU que o valor das matérias-primas secundárias originadas dos resíduos de equipamentos eletrônicos chegue à quantia de 55 bilhões de Euros (aproximadamente R$ 239 bilhões). A Polen – Solução e Valoração de Resíduos oferece uma solução simples, segura e lucrativa para sua empresa participar deste mercado: a Plataforma da Polen. A Plataforma da Polen é uma plataforma online de comercialização de resíduos que auxilia sua empresa a encontrar empresas interessada em comprar sua sucata eletrônica, entre outros resíduos. Experimente, o cadastro é gratuito!

Lista Brasileira de Resíduos Sólidos

A Lista Brasileira de Resíduos Sólidos, criada pelo IBAMA, se inspira na listagem européia e unifica os padrões e nomenclaturas sobre os tipos de resíduos presentes no território nacional. Esta lista ajudou a otimizar e comparar métodos de geração, acondicionamento e disposição dos resíduos sólidos no Brasil. Baixando a “Planilha Gestão de Resíduos – Polen“, você acessa a Lista e ainda obtém uma planilha gratuita que facilita a gestão da sucata eletrônica.

 

Se você entendeu quais são as categorias e classificações da sucata eletrônica no Brasil, compartilhe este artigo e ajude outras pessoas a otimizarem os processos de gestão dos resíduos. Afinal, em qual categoria o REEE da sua empresa entra? Comente abaixo!

 

Referências

Universidade do Estado de Santa Catarina; Global E Waste Monitor 2017; Portal do Lixo Eletrônico; Gestión Sostenible de Residuos de Aparatos Eléctricos y Electrónicos en América Latina; Electrão

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