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Sucata: Entenda a diferença entre ferrosa e não-ferrosa

O Blog da Polen é um espaço exclusivamente dedicado ao compartilhamento, divulgação e publicação de notícias, artigos, colunas e relatórios sobre o universo dos resíduos sólidos no Brasil e no mundo. Aqui você encontrará conteúdo relevante, escrito por profissionais com experiência e vivência no setor. Dentre as pautas a serem abordadas, estão: guias de boas-práticas na gestão de resíduos; legislação e regulação do setor; novas tecnologias, soluções e aplicações para o reaproveitamento, reuso e reciclagem dos resíduos; economia-circular; logística-reversa e muito mais!

Sucata: Entenda a diferença entre ferrosa e não-ferrosa

Sucata: Entenda a diferença entre ferrosa e não-ferrosa

O mercado de sucata é um dos principais comércios de resíduos do país. Para participar deste mercado, é fundamental entender a diferença entre sucata não ferrosa e sucata ferrosa. Você está lendo este texto pois isto ainda não está claro, certo? Fique tranquilo, é uma dúvida comum. No texto de hoje você irá entender tudo o que precisa sobre essas duas classificações e estará pronto para tirar o máximo que puder da sucata metálica.

Boa leitura!

 

Sucata: o que é?

O primeiro ponto a ser discutido é o que de fato é sucata. De acordo com o decreto Nº 18.955/1997, anexo IV, se considera “sucata ou resíduos a mercadoria que se tornar definitiva e totalmente inservível para o uso a que se destinava originariamente e que só se preste ao emprego, como matéria-prima, na fabricação de outro produto. Não se considera sucata ou resíduo, ficando, portanto, as operações respectivas sujeitas às normas gerais previstas na Legislação, a mercadoria usada, mesmo que parcialmente danificada, que ainda possa ser utilizada na sua destinação originária, sendo, neste caso, irrelevante a destinação específica que lhe venha a ser dada pelo adquirente.”

Sendo assim, sucata é qualquer resíduo cuja utilização é inviável para sua proposta inicial, porém é reciclável e passível de utilização em outros sistemas produtivos.

As categorias de sucata mais conhecidas são: metais ferrosos, metais não-ferrosos, sucata de plástico, sucata de papel e papelão, sucata de eletrônicos. Entretanto, na nomenclatura popular a sucata é comumente associada à sucata metálica (metais ferrosos e metais não-ferrosos), o foco de nosso artigo. Elas são as maiores responsáveis por aquecer esse mercado. Segundo artigo do Transparency Market Research, o mercado de sucata global movimentou cerca de US$ 713.044 bilhões em 2017, podendo movimentar US$ 979 bilhões em 2026.

A sucata metálica

Antes dos humanos pensarem em escrever, o metal já era utilizado. Ele é tão importante para a humanidade que a História se divide baseada em algumas de suas descobertas. A Idade da Pedra termina com a descoberta do cobre, um dos metais não-ferrosos, iniciando a Idade do Cobre, em 5.000 aC. Já o começo do uso dos metais ferrosos, em 1.200 aC, marcou o começo da Idade do Ferro.

Metal, em química, pode ser caracterizado como uma substância ou uma liga metálica que possui boa condutividade térmica e elétrica, possui grande dureza e costuma aparentar uma coloração prateada ou amarelada. Também pode ser descrito como um elemento químico formado por aglomerados de átomos com caráter metálico. Os metais são distinguidos por suas propriedades de ionização e de ligação e são quimicamente estáveis, com a exceção dos alcalinos e alcalino-terrosos.

O metal costuma possuir características que o torna singular. São elas:

  • Dureza: Significa que os metais possuem resistência a serem riscados e à rupturas;
  • Maleabilidade: Significa que os metais são transformados em lâminas sem dificuldade;
  • Condutibilidade: Significa que os metais são ótimos condutores elétricos e térmicos;
  • Brilho: Significa que os metais refletem a luz quando esta toca sua superfície;
  • Elasticidade: Significa que os metais possuem a capacidade de voltar ao formato original após serem esticados.

Os metais somam um total de 57 elementos químicos que costumam ser divididos em metais ferrosos e metais não-ferrosos. A sucata metálica é aquela cuja composição do material possui um ou mais metais. Tal como a classificação destes elementos que a originam, este tipo de sucata se divide em sucata ferrosa e sucata não-ferrosa.

 

Sucata Ferrosa x Sucata Não-Ferrosa

Basicamente, os metais ferrosos possuem algum grau de ferro em sua composição, enquanto os não-ferrosos não possuem. Entretanto, é importante salientar que eles possuem propriedades distintas que orientam a adequada aplicação dos elementos. Tais diferenças ficarão mais claras nos subtópicos abaixo.

Sucata Ferrosa

Sucata de Ferro Fundido: uma das principais categorias de sucata ferrosa

Sucata de Ferro Fundido: uma das principais categorias de sucata ferrosa

Como dito, a sucata ferrosa possui ferro em sua composição. O metal ferroso possui grande durabilidade e boa resistência à tração. Por possuir um alto teor de carbono, quando é exposto à umidade é passível de enferrujamento, com exceção do ferro forjado e ao aço inoxidável. Além disso, uma característica deste tipo de sucata é que são magnéticos, ocasionando no aplicações em elétricos, como na porta da geladeira.

Essa sucata tem papel fundamental na construção mecânica, sendo a base para a construção da maior parte de máquinas, ferramentas, estruturas e instalações que necessitam de materiais de grande resistência. Além desta área, ele é muito empregado ​​em trilhos de trens, automóveis, contêineres, tubulações industriais e diversas ferramentas industriais e domésticas. Os resíduos gerados como subprodutos de atividades industriais para a produção de materiais como os citados são equivalentes a quase 50% do abastecimento desse tipo de sucata.

Os metais ferrosos mais comuns que, posteriormente, geram as sucatas ferrosas são o aço, aço carbono, liga de aço, ferro fundido e ferro forjado. Temos as principais categorias de sucata ferrosa no mercado:

Principais Categorias de Sucatas Ferrosas

  • Ferro: ​retirado de vagões, ferramentas, utensílios, ferramentas, peças de carros, estruturas de  edifícios, latas de bebidas e alimentos;
  • Estamparia:  estamparia solta, leve ou pesada, graúda ou miúda, sem revestimentos metálicos ou não metálicos, provenientes de Indústria Automobilística, Auto Peças, Eletro Doméstico ou similares.  Inclui-se nesses tipos os rolos industriais obtidos pela industrialização de aparas de chapas ou bobinas e sobras de estampagem a quente e a frio;
  • Cavaco: proveniente da Usinagem de Peças de Ferro, Aço e Ferro Fundido;
  • Granel pesada: provenientes de desmonte de Instalações  Industriais, veículos auto motores e máquinas industriais, Indústrias Petroquímicas, materiais ferroviários, Indústria Naval, demolições e de Indústria de Base, tais como: cantoneiras, tubos, vigas, chassis, eixos, transmissões, carcaças, tratores e implementos agrícolas, máquinas rodoviárias, trilhos usados em geral, telas pregos, engates, vagões, dormentes metálicos, rodeiros, puchantes, eixos ferroviários, navios e barcaças e sobras de trefilas;
  • Ferro fundido: material composto de blocos de motores, peças fundidas, máquinas industriais, tubos, conexões, tampões, grelhas;
  • Estamparia revestida: Composta de folhas de flandres, litografados, embalagens e outras com revestimentos metálicos;
  • Chaparia: composto de paralamas, cabines de veículos, tampas e laterais de fogões, geladeIras, tambores, fitas de fardos, costaneiras, capas de fardo, arcos, galões e baldes;
  • Mista: composta de vergalhões, cabos de aço, grade, para-choque, arames, coberturas.

Estima-se que a utilização de sucata de ferro ao invés do material virgem reduz em 58% as emissões de CO2. Normalmente as sucatas ferrosas são utilizadas como matéria-prima pelas empresas de siderurgia.

Sucata Não-Ferrosa

Sucata de Alumínio: uma das principais categorias de sucata não-ferrosa

Sucata de Alumínio: uma das principais categorias de sucata não-ferrosa

A sucata não-ferrosa é toda aquela derivada de metais que não possuem ferro. Possuem como grandes diferenciais a sua maleabilidade e resistência à ferrugem (uma vez que não possuem ferro) e, tal como os ferrosos, estão presentes na construção mecânica. Entretanto, eles não são magnéticos, possuindo assim grande aplicação em fiações.

Suas aplicações são diversas, uma vez que podem substituir as sucatas ferrosas, porém nem sempre podem ser substituídos por elas. Normalmente são utilizados isolados ou em ligas em calhas, coberturas, sinais, construções aeronáuticas e tratamentos galvânicos.

A sucata não-ferrosa representa uma menor porcentagem do material total reciclado, porém possui extrema importância visto que seu valor é elevado. Dessa forma, representa mais que a metade do valor ganho da indústria da reciclagem. Esse dado fica evidente quando analisamos que a reciclagem de latinhas de alumínio no Brasil atinge 98% das latinhas fabricadas, injetando cerca de R$ 730 milhões na economia brasileira, um case de sucesso no mundo todo. Além disso, a sucata não-ferrosa não perde as propriedades físico-químicas no processo de reciclagem, permitindo que seja reciclada inúmeras vezes.

Os metais não-ferrosos mais conhecidos são o alumínio, cobre, chumbo, zinco, estanho, níquel e o latão. Temos as principais categorias de sucata não-ferrosa:

Principais Categorias de Sucatas Não-Ferrosas

  • Resíduos de Alumínio: latinhas de bebidas, janelas, portões, grades;
  • Resíduos de Níquel: baterias de aparelhos de celulares;
  • Resíduos de Chumbo: redes de canalização, tanques e aparelhos de raios, lacres;
  • Resíduos de Zamac: placas das pilhas eletroquímicas, telhas;
  • Resíduos de Latão: cadeados, fechaduras;
  • Cobre Encapado: fios com capa de isolação;
  • Cobre Nú: fios sem isolação.

A destinação das sucatas ferrosas e não-ferrosas devem seguir a ordem de prioridade da Política Nacional de Resíduos Sólidos. O método mais comum e lucrativo é a comercialização, dando origem ao mercado de sucata. A partir da venda dessas sucatas é possível obter nova fonte de receita, enquanto a compra e reciclagem possibilita a confecção de novos produtos com margens de lucro maiores, uma vez que os custos com a matéria-prima secundária – no caso a sucata – são menores que com matéria-prima virgem. Dessa forma, é importante localizar fornecedores e compradores qualificados para exercer a transação. É possível acessar empresas competentes através da Plataforma da Polen, uma plataforma online, de uso gratuito, onde é possível comprar e vender sucata de todos os tipos.

É fundamental fazer a correta diferenciação já que a venda conjunta dos dois tipos de sucata pode acarretar em perda financeira. Isso se deve, por exemplo, pelo fato do sucata não-ferrosa ser, em média, 16 vezes mais cara que a sucata ferrosa. Dessa forma, a correta separação e distinção de preços faz com que o comércio seja mais lucrativo para o vendedor e evita um possível prejuízo no processo industrial do comprador.

 

Como diferenciar os tipos de sucata metálica na prática

A caracterização para diferenciação e classificação das sucatas passa por um processo qualitativo e quantitativo. O primeiro busca identificar os componentes dos materiais, enquanto o segundo visa analisar as concentrações de cada componente.

A análise qualitativa determina quem são os microconstituintes dos materiais através do estudo da microestrutruras, dependendo do processo de fabricação que levou àquele material. Já análise quantitativa passa pelo tamanho dos grãos, percentual de cada um no material, formas e tipos, parâmetros específicos, estudo da superfície dos materiais e testes de força.

Ferramentas para Caracterização

Para realizar as análises dos insumos, algumas ferramentas costumam ser utilizadas. São elas:

  • FRX (Espectrômetro de Fluorescência de Raios): equipamento gerador de energia em formas de ondas que causa uma resposta variável baseada no elemento atingido, possibilitando medir suas concentrações;
  • MEV (Microscópio Eletrônico de Varredura): amplia a imagem do material através da varredura por elétrons, possibilitando uma melhor resolução;
  • DRX (Difratômetro de Raios X): tal como o FRX, gera ondas de energia para determinar as concentrações presentes no material;
  • MET (Microscópio Eletrônico de Transmissão): possui o mesmo objetivo do MEV, porém emite um feixe de elétrons no material, formando uma imagem e posteriormente ampliando-a para estudar sua superfície.

Além dessas ferramentas, um método muito comum é a utilização de equipamentos com imãs para identificação, visto que os metais ferrosos (com exceção do aço inoxidável) são magnéticos enquanto os não-ferrosos não são. Desta forma, de maneira geral, é possível fazer uma diferenciação básica.

 

Agora que você entendeu a diferença entre sucata ferrosa e sucata não-ferrosa e como fazer isso, você já está melhor encaminhado para penetrar no mercado de sucata. Acha que faz sentido para sua empresa? Pretende comprar ou vender sucata? Comente abaixo e compartilhe a postagem com sua rede!

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