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Descomissionamento de Plataformas e Navios: uma fonte valiosa para sair da crise

O Blog da Polen é um espaço exclusivamente dedicado ao compartilhamento, divulgação e publicação de notícias, artigos, colunas e relatórios sobre o universo dos resíduos sólidos no Brasil e no mundo. Aqui você encontrará conteúdo relevante, escrito por profissionais com experiência e vivência no setor. Dentre as pautas a serem abordadas, estão: guias de boas-práticas na gestão de resíduos; legislação e regulação do setor; novas tecnologias, soluções e aplicações para o reaproveitamento, reuso e reciclagem dos resíduos; economia-circular; logística-reversa e muito mais!

Descomissionamento de Plataformas e Navios: uma fonte valiosa para sair da crise

Entenda o potencial comercial do descomissionamento de plataformas de petróleo e navios

A indústria naval brasileira obteve um grande crescimento ao longo da década de 2000, impulsionado principalmente pelo aumento da exploração de petróleo. Porém, com a queda do preço do barril de petróleo e dificuldades em competir com o mercado asiático, este setor vive uma crise sem precedentes, resultando em embarcações abandonadas e cortes gigantescos de força de trabalho. Apesar da situação adversa, sempre há um lado positivo, e para os estaleiros existe a oportunidade de geração de receitas à partir do descomissionamento de plataformas e navios. Sim, geração de receita.

Para comentar o assunto, convidamos Daniel Prista, Engenheiro Ambiental formado pela Universidade Federal Fluminense – UFF, com 4 anos de experiência na gestão de resíduos na área de óleo e gás. Neste artigo, ele explicará como reduzir os impactos da crise através de uma visão sustentável e lucrativa.

O que é descomissionamento de plataformas e navios?

Descomissionamento de plataformas de petróleo e navios antigos: uma opção lucrativa para a crise

Descomissionamento de plataformas de petróleo e navios antigos: uma opção lucrativa para a crise

Primeiramente, é necessário entender o que é o descomissionamento de plataformas e navios. Este conceito pode ser definido como o processo de desativação da operação de produção de um poço de petróleo de maneira a minimizar os impactos ao meio ambiente. Para tal, os poços produtores devem ser fechados, a instalação da estrutura de produção de petróleo deve ser removida e transportada à terra, podendo incluir manifolds, templates, risers, árvores-de natal e cabos de ancoragem, porém, antes deve-se certificar que a estrutura está livre de hidrocarbonetos para evitar derramamentos. Uma das etapas do descomissionamento é o desmonte em terra das estruturas para destinação ou reutilização de suas partes. Além de plataformas, pode ser realizado o desmonte de navios cargueiros, petroleiros e etc.

Mercado de descomissionamento

No principais mercados do exterior, o descomissionamento das plataformas é comumente feito de maneira inadequada, abrindo oportunidades para o mercado brasileiro.

No principais mercados do exterior, o descomissionamento das plataformas é comumente feito de maneira inadequada, abrindo oportunidades para o mercado brasileiro.

O descomissionamento de plataformas de petróleo ainda é um mercado com muitas incertezas, entretanto bastante valioso. Estima-se que no ano de 2017 este setor movimentou cerca de U$ 6 bilhões mundialmente. No Brasil o movimento ainda é muito embrionário, porém promissor: cerca de 54% das mais de 150 plataformas em operação tem mais de 25 anos de atividade, podendo ser recicladas em breve.

No caso de navios, existe um mercado global mais consolidado, porém restrito. Um navio de grande porte opera em média por cerca de 25 a 30 anos. Após este período os custos de manutenção se tornam tão altos que sua utilização não é mais rentável, e desta forma o operador vende a embarcação para uma empresa especializada em descomissionamento naval, que irá lucrar com a venda do material reciclável resultante do desmonte. Atualmente, este mercado está concentrado em quatro países: China, Índia, Bangladesh e Paquistão, que correspondem à 80% do total da frota desmontada no mundo.

Esta concentração é motivada por falta de regulação e mão-de-obra barata nestes países. Porém, a atividade não é feita de maneira adequada, resultando em nocivos impactos ambientais e desrespeito aos direitos dos trabalhadores, que estão sujeitos a condições degradantes. Além dos problemas éticos associados a esta prática, que podem manchar a reputação da empresa que enviar navios para desmonte nestes locais, aqui ainda existe a possibilidade de multa por parte do IBAMA, em valores de até R$10 milhões, se houver o entendimento de que houve a violação de acordos internacionais.

Sendo assim, há uma grande oportunidade para exploração desta atividade pela indústria nacional. Um estudo da organização RAND estima que um navio petroleiro pode ter de 72% a 81% de seu peso correspondente a metal reciclável, o que significa que o desmonte de apenas um ULCC (Ultra Large Crude Carrier), é capaz de gerar mais de 30.000 toneladas de sucata metálica, que pode ser comercializada por cerca de R$15 milhões. No Brasil, além das unidades que sequer chegaram a ser concluídas, estima-se que pelo menos 150 embarcações deverão chegar ao fim de suas vidas úteis até 2020. Já imaginou a quantidade de receita que é possível fazer com esse material?

Riscos ambientais x Oportunidades

O processo de descomissionamento de unidades marítimas não é nada simples. Durante o processo, há a geração de diversos resíduos perigosos e envolve muitos riscos ambientais, como por exemplo a possibilidade de contaminação da água do mar por óleos e produtos químicos caso ocorra um vazamento. Porém, a estrutura e experiência dos estaleiros em operação podem ser utilizadas para que esta atividade seja realizada de forma segura e respeitando a legislação vigente, permitindo que esses resíduos se transformem em oportunidade de geração de receita.

Os resíduos contaminados podem ser vendidos para a indústria cimenteira, onde passarão pelo co-processamento, enquanto os resíduos oleosos podem ser re-refinados e retornar à cadeia produtiva. A comercialização de sucata já é muito conhecida no país, porém encontrar compradores de resíduos perigosos nem sempre é tão fácil. Com o avanço tecnológico, esse processo foi facilitado por startups, como a Polen – Solução e Valoração de Resíduos. A Polen é uma plataforma online que conecta empresas compradoras com empresas vendedoras de resíduos perigosos, sucata e diversos outros resíduos, de todo o país. Além disso, ela gera relatórios de sustentabilidade e ainda certifica as transações ocorridas ali. Como consequência, elimina as barreiras da distância entre empresas, possibilita que você tenha uma vasta gama de produtos e compradores para comparar, permite que você faça toda a negociação no conforto da sua empresa e ainda faz com que sua empresa cumpra a legislação de forma lucrativa, pois estimula a logística reversa. É uma opção valiosa para facilitar sua entrada nesse mercado de descomissionamento de plataformas e navios.

Entendeu como o mercado de descomissionamento de plataformas e navios funciona? Restou alguma dúvida? Deixe um comentário ou fale com um de nossos consultores.

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