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Como reciclar resíduos de plástico?

O Blog da Polen é um espaço exclusivamente dedicado ao compartilhamento, divulgação e publicação de notícias, artigos, colunas e relatórios sobre o universo dos resíduos sólidos no Brasil e no mundo. Aqui você encontrará conteúdo relevante, escrito por profissionais com experiência e vivência no setor. Dentre as pautas a serem abordadas, estão: guias de boas-práticas na gestão de resíduos; legislação e regulação do setor; novas tecnologias, soluções e aplicações para o reaproveitamento, reuso e reciclagem dos resíduos; economia-circular; logística-reversa e muito mais!

Como reciclar resíduos de plástico?

Resíduos de Plástico: como reciclar?

Os resíduos de plástico estão presentes em praticamente todas as casas brasileiras. Esses resíduos, quando destinados incorretamente, podem se tornar grandes vilões do meio ambiente, já que sua decomposição pode levar por volta de 400 anos. Sabendo disso, é necessário tratar com responsabilidade a destinação destes resíduos. Entre as opções de destino possíveis, a reciclagem se destaca como um processo ambientalmente correto e lucrativo mas que ainda gera algumas dúvidas. Após ler o texto, você será capaz de compreender o que são os resíduos plásticos, como está o Brasil em relação à gestão destes resíduos e os tipos de reciclagem possíveis. Vamos lá?

O que são resíduos de plástico?

Os resíduos de plásticos podem ser classificados em pós-indústria ou pós-consumo. Os pós-indústria são provenientes de processos produtivos como aparas, enquanto os pós-consumo são após o descarte dos consumidores, e em sua maioria, embalagens.

A matéria-prima do plástico é o petróleo. Este, por sua vez, é formado por uma mistura de compostos que são possíveis de serem separados através de alguns processos. Separados os compostos, eles são enviados a centrais petroquímicas, onde dão origem aos monômeros – pequenas moléculas que podem ligar-se entre si. Os monômeros se unem formando grandes cadeias moleculares denominadas polímeros, que resultam no plástico. O plástico é um polímero sintético, mas também existem polímeros naturais, como algodões e madeiras.

Classificações

Os polímeros podem ser classificados em Termoplásticos e Termofixos. Os primeiros se referem a plásticos que não sofrem alterações estruturais após aquecimentos, e após o resfriamento eles podem ser novamente moldados. Enquanto isso, os termofixos são aqueles que uma vez moldados não podem ser fundidos e remoldados, impossibilitando a reciclagem mecânica.

Visto que nem todos os plásticos são facilmente recicláveis, é importante reconhecer os diferentes existentes.

Termoplásticos

Os termoplásticos são divididos, de acordo com a norma técnica, nas seguintes categorias:

  1. Polietileno Tereftalato — PET

Ele é muito utilizado por ser impermeável, leve, transparente e inquebrável. Esse material é um dos mais reciclados pelas empresas. Exemplos: Garrafas de Refrigerante, bandejas para microondas, filmes para áudio e vídeo.

2. Polietileno de Alta Densidade — PEAD

Assim como o PET, o PEAD é inquebrável, impermeável e leve. Porém, também é resistente a baixas temperaturas, é rígido e possui resistência química. É considerado um dos melhores materiais para ser utilizado com alimentos naturais e industrializados, e também costuma ser reciclado. Exemplos: Embalagens para detergentes, caixas de leite de plástico, sacolas de supermercado.

3. Policloreto de Vinila — PVC

Esse material tem como características ser rígido, transparente, impermeável, resiste à temperatura e é inquebrável. É conhecido também como vinil e é formado pela união do etileno com o cloro. É reciclável, mas menos usual que os anteriores. Exemplos: Cones de trânsito, brinquedos, bolsas de sangue.

4. Polietileno de Baixa Densidade — PEBD

O PEBD é flexível, leve, transparente e impermeável. É outro tipo de material plástico reciclável. Exemplos: Sacos de lixo, bolsa para soro medicinal, sacos de pão.

5. Polipropileno — PP

Conserva o aroma, é inquebrável, transparente, brilhante, rígido, e resistente às mudanças de temperatura. É reciclável e muito comum nas indústrias automobilísticas e na construção civil. Exemplos: Tubos para água quente, carcaças de baterias automotivas e canudos de plástico.

6. Poliestireno — PS

O Poliestireno é transparente, leve, brilhante, rígido, inquebrável, brilhante, impermeável, capaz de isolamento térmico, possui flexibilidade, grande moldabilidade sob ação do calor e baixo custo. Não costuma ser reciclado. Exemplos: Potes para iogurte, talheres de plástico e aparelhos de barbear descartáveis.

7. Outros

São plásticos oxibiodegradáveis, bisfenol, plásticos feitos a partir de beterraba e mandioca (entre outros) e plásticos compostos pelos seis tipos de plástico citados anteriormente.. Exemplos: Garrafas de água reutilizáveis de 3 a 5 litros.

Termofixos

Enquanto isso, os termofixos são divididos em:

  1. Poliuretano – PU

Possui como principais características flexibilidade, leveza, resistência à abrasão e a possibilidade de design diferenciado. Exemplos: Espumas macias para colchões, telefones e peças industriais elétricas.

2. Acetato-Vinilo de Etileno – EVA

O EVA é flexível e resistente ao mesmo tempo. Exemplos: Solados de tênis e chinelos, materiais de artesanato e equipamentos de academia.

3. Baquelite 

É uma resina sintética resistente ao calor, quimicamente estável, forte, infusível e que pode ser moldada na fase inicial. Ela foi o primeiro produto plástico. Exemplos: Cabos de panela, interruptores e componentes de rádio.

4. Resinas Fenólicas`

Possuem bom comportamento térmico, altos níveis de força e resistência, longas estabilidades térmicas e mecânicas e são isolantes térmico e elétrico. Exemplos: Bolas de sinuca, adesivos e revestimentos.

 

O cenário dos resíduos de plástico no Brasil

Segundo o Sindicato Nacional das Empresas de Limpeza Urbana (Selurb), o Brasil perde R$5,7 bilhões por ano pela falta de reciclagem dos resíduos de plástico, isso se considerando somente o Resíduo Sólido Urbano (aquele coletado porta-à-porta). A Selurb chegou a esse número considerando uma reciclagem dos 10,5 milhões (13,5% do total) de resíduos plásticos que o pais produz anualmente. Ainda, cerca de 40% do montante geral de resíduos é destinado inadequadamente. São bilhões de reais que poderiam ser revertidos em receita e lucro.

Os resíduos de plástico, junto dos papéis, papelões, papéis metalizados, vidros e metais são responsáveis por 40% dos resíduos gerados em domicílios, sendo na sua maioria resíduos de embalagens. A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) estabelece os sistemas de logística reversa que obrigam as empresas a serem responsáveis por, no mínimo, 22% de todas as embalagens que colocam no mercado até o fim de 2018 e 50% até 2021, na terceira fase do acordo setorial. Três diferentes instrumentos são usados para a implementação desses sistemas: regulamento, termo de compromisso e o acordo setorial – ato de natureza contratual firmado entre o poder público e fabricantes, importadores, distribuidores ou comerciantes, tendo em vista a implantação da responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos.

As metas do acordo setorial visam criar um sistema estruturante consistente nas ações de benfeitorias, melhorias de estrutura e equipamentos, para que as ações conjuntas das empresas e demais agentes da cadeia de responsabilidade compartilhada atinjam os números propostos pela PNRS. O decreto regulamenta também que as empresas fora dos acordos de coalizão precisam integrá-los ou realizarem a logística reversa da sua própria maneira, porém comprovando que está sendo efetuado.

 

As vantagens da reciclagem do plástico

O plástico reciclado possui algumas vantagens em relação ao virgem:

  • A reciclagem do plástico exige cerca de 10% da energia utilizada no processo primário;
  • A fabricação de plástico reciclado pode economizar até 90% de água;
  • Gera mão de obra pela implementação de cooperativas, micro, pequenas e médias indústrias;
  • Evita novas extrações de recursos ecossistêmicos;
  • Reduz a poluição pois utiliza resíduos como matéria-prima;

Além disso, a reciclagem de plástico abre porta para um novo ganho financeiro, par sua empresa, através da comercialização de plástico. Os resíduos de plástico podem ser vendidos como co-produtos, cortando custo de destinação e produzindo renda para as empresas geradoras e fornecendo matéria-prima secundária para as empresas recicladoras. Um local fácil de se realizar esse tipo de transação, por exemplo, é pela Plataforma da Polen.

O plástico reciclado pode ser utilizado para produção de garrafas e frascos (exceto para contato direto com alimentos e fármacos); baldes, cabides e pentes (e outros artefatos produzidos pelo processo de injeção); painéis para a construção civil; cerdas, vassouras e escovas (e outros produtos que sejam produzidos com fibras); “madeira – plástica”; sacolas e etc.

 

Os tipos de reciclagem de resíduos plásticos

Resíduos de Plástico: como reciclar e aproveitar seu potencial?

Resíduos de Plástico: como reciclar e aproveitar seu potencial?

Após entendermos quais são os resíduos plásticos, como eles estão no Brasil e as vantagens da reciclagem, é hora de compreender como reciclar. Existem quatro formas básicas de reciclagem de plástico:

1) Reprocessamento por refusão ou remoldagem

Neste processo os resíduos de plástico são lavados, fragmentados e triturados. O objetivo é que, limpos, os materiais sirvam como matéria-prima para a fabricação de novos produtos. A produção de fibras de carpete a partir de PET reciclado é um exemplo de reprocessamento.

2) Despolimerização

A despolimerização ocorre para que os polímeros, através de processos químicos ou térmicos, retornem aos seus componentes monoméricos mediante processos químicos ou térmicos. Sendo assim, os monômeros do plástico podem ser polimerizados novamente, servem como matéria-prima em refinarias ou centrais petroquímicas e produzem produtos químicos ou novos plásticos.

3) Transformação do plástico

Como esperado pelo nome, este processo transforma o plástico em uma substância de baixa qualidade para que outros materiais possam ser feitos a partir dele. Por exemplo, processos de oxidação com o objetivo de produzir gás de síntese.

4) Reciclagem Energética

É a reciclagem energética dos resíduos de plástico através de processos térmicos (queima). Ela se diferencia da incineração porque utiliza os resíduos como combustível na geração de energia, enquanto a incineração não reaproveita a energia dos materiais. Além da recuperação de energia, ainda ocorre uma redução de 70% a 90% da massa do material. Do ponto de vista ambiental e da eficiência no uso dos recursos, e tendo como base os preceitos da economia circular, este é um péssimo destino para os plásticos. Pois além de ser uma geração energética à partir de de fontes não renováveis (petróleo/plástico), ele ainda retira da cadeia da reciclagem aquele plástico que poderia ser reutilizado diversas vezes em diferentes processos.

É importante relembrar que, apesar de muitas opções de reciclagem, ainda não há processo que degrade completamente os resíduos de plástico. Entretanto, a reciclagem possibilita que se reduza a quantidade de material dispensado no meio ambiente.

 

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2 comentários

  1. Temos grandes volumos de reciclados e sucatas ,como devo proceder para vender

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