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Como realizar a venda de sucata eletrônica?

O Blog da Polen é um espaço exclusivamente dedicado ao compartilhamento, divulgação e publicação de notícias, artigos, colunas e relatórios sobre o universo dos resíduos sólidos no Brasil e no mundo. Aqui você encontrará conteúdo relevante, escrito por profissionais com experiência e vivência no setor. Dentre as pautas a serem abordadas, estão: guias de boas-práticas na gestão de resíduos; legislação e regulação do setor; novas tecnologias, soluções e aplicações para o reaproveitamento, reuso e reciclagem dos resíduos; economia-circular; logística-reversa e muito mais!

Como realizar a venda de sucata eletrônica?

Como realizar a venda de sucata eletrônica?

A venda de sucata eletrônica está cada vez mais presente no mercado brasileiro. Por isso, é fundamental que as empresas geradoras, para aproveitarem essa onda, estejam cientes sobre como ocorre esse processo e por quais valores os REEE costumam ser vendidos. Neste artigo você vai entender o porquê da ascensão do mercado da sucata eletrônica, como fazer a venda dos resíduos eletroeletrônicos da sua empresa e quais os preços médios adotados. Vamos lá?

Mercado de Sucata Eletrônica: uma valiosa fonte de receita

O termo sucata se refere a um resíduo possível de ser reaproveitado em algum processo produtivo. A sucata eletrônica, também conhecida como resíduo eletroeletrônico ou REEE, é uma subcategoria oriunda de itens elétricos e eletrónicos. A Diretiva 2002/96/CE do Parlamento Europeu, em seu 3 artigo, classifica os REEE como todos os componentes, subconjuntos e materiais consumíveis que fazem parte destes equipamentos. Tais resíduos fazem parte da classe I (em termos classificatórios nacionais), o que configura um resíduo perigoso, que pode acarretar em efeitos nocivos ao ser humano e meio ambiente. Desta forma, sua devida gestão é ainda mais fundamental.

Segundo o relatório “Global E-waste Monitor 2017“, divulgado pela Universidade das Nações Unidas (UNU) e União Internacional de Telecomunicações (UIT), somente em 2016 foram geradas 44,7 milhões de toneladas de sucata eletrônica no mundo, 8% a mais que 2014. Para se ter noção de sua dimensão, o peso de todos esses REEE equivale a 4.500 Torres Eiffel ou a nove grandes pirâmides Gizé. É resíduo suficiente para se formar uma linha, de ida e volta, entre Bangkok e Nova York. Em um primeiro momento pode até parecer desesperador, porém é um oceano de oportunidades: é estimado que o valor das matérias-primas secundárias originadas dos resíduos de equipamentos eletrônicos chegue à quantia de 55 bilhões de Euros (aproximadamente R$ 239 bilhões). Segundo a Reciclo, até 99% dos metais que compõem equipamentos podem ser recuperados.

As placas eletrônicas, por exemplo, contém 17 tipos de metais, como cobre, alumínio e ouro. Segundo curso do Eco-Eletro, em uma tonelada de computador há mais ouro do que em 17 toneladas do minério bruto. Analisando aparelhos de telefone celular, é estimado que o valor intrínseco das matérias-primas contidas em um aparelho padrão (aproximadamente 90g) seja de 2 euros.

Sem dúvidas, a geração de REEE deve ser diminuída e controlada, entretanto, esta imensidão existente precisa ser aproveitada efetivamente. Em 2016, apenas 20% do total foi reciclado corretamente – cerca de 4% foi destinado a aterros sanitários e as outras 34,1 milhões de toneladas foram incineradas ou recicladas em operações informais que não possuem segurança. São bilhões de reais queimados ou aterrados, e um significativo desgaste ambiental. Naquele ano, em todo o mundo, foram geradas 445.000 toneladas de resíduos de telefones celulares, o que significa o desperdício de 9.4 bilhões de euros (R$ 40 bilhões) pela não reciclagem deste tipo de aparelho tão presente em nossas vidas.

O Brasil foi responsável por 1,5 milhões de toneladas de sucata eletrônica gerada, se mantendo apenas atrás dos EUA na ordem de maiores geradores de REEE das Américas. Como consequência da queda dos preços dos eletrônicos, existe mais de um celular por brasileiro, de acordo com o G1, o que acarreta neste grande descarte: cerca de 72kg por pessoa em 2016.

Em 2010 foi promulgada a Política Nacional de Resíduos Sólidos, norteando a forma como as empresas devem gerir seus resíduos. As empresas geradoras de sucata eletrônica estão inclusas na Lei e devem obedecer a seguinte ordem na gestão de seus resíduos: não geração, redução, reutilização, reciclagem e disposição final adequada. Paralelamente, a mesma Lei instaurou a obrigatoriedade da logística reversa dos resíduos pós-consumo, o que significa que as empresas geradoras são responsáveis por reintegrar os REEE em algum processo produtivo.

Dessa forma, devido à legislação e aos componentes presentes nos itens eletroeletrônicos, ocorreu o impulsionamento do mercado de sucata eletrônica no país, uma vez que é uma solução lucrativa para se alinhar às condições da Lei. Segundo reportagem da Revista Isto É, em 2015, o governo estimava que a reciclagem dos REEE ainda tinha potencial para gerar 10 mil empregos e injetar R$700 milhões na economia nacional. Além disso, o Global Waste prevê um crescimento de 17% nos resíduos até o ano de 2021, alcançando a marca de 52,2 milhões de toneladas gerados anualmente ao redor do mundo, o que indica um mercado global de oportunidades.

A venda da sucata eletrônica

Além dos resíduos defeituosos e de produção, é necessário resgatar os REEE pós-consumo, uma vez que a logística reversa tem como base o recolhimento e restituição da sucata eletrônica após o descarte do consumidor. Dessa forma, torna-se fundamental a promoção de campanhas de conscientização sobre a importância da correta separação e devolução dos REEE aos Pontos de Entrega Voluntária (PEVs).

Após o recolhimento, inicia-se o preparo para a venda. Normalmente, é mais indicado desmontar os aparelhos e vender as peças separadas para obter um melhor preço. O Eco-Eletro ressalta que 1 tonelada de sucata de computador vale aproximadamente R$200,00, enquanto 1 tonelada de computador desmontado vale cerca de R$2.000,00.

Em um desmonte avançado dos aparelhos, podendo ser efetuado apenas por algumas empresas, o processo costuma ser o seguinte:

  1. Ocorre a desmontagem manual dos aparelhos, onde os itens são desparafusados e os componentes são organizados por tipo de material: plásticos, alumínios, cobres… É importante salientar que os componentes tóxicos e perigosos devem ser separados e enviados a empresas especializadas em sua reciclagem;
  2. Outras peças são moídas e tritutaradas, podendo até sofrer preparação química;
  3. Os materiais são armazenados, normalmente em contêineres, e vendidos para as empresas que os reutilizarão.

Dessa forma, as partes mais valiosas ou que não podem ser descaracterizadas são separadas das demais, garantindo maior lucratividade.

Durante este processo de venda da sucata eletrônica, se faz necessário preencher o Manifesto de Transporte de Resíduos (MTR), documento que controla a destinação dos resíduos. Basicamente, consta no documento o CNPJ da empresa geradora, a identificação da carga, a quantidade e peso do resíduo, a identificação dos profissionais e empresas envolvidas na operação, a declaração do transporte, a destinação final e o CDF (Certificado de Destinação Final, documento emitido pelo receptor que comprova a destinação adequada).

Em algumas regiões, os órgãos ambientais fornecem o modelo para ser utilizado pelas empresas e exigem a emissão de 4 vias do MTR. Uma das vias fica com o gerador, outra com o transportador, a terceira com o receptor e a última também será do gerador, onde constarão as assinaturas dos envolvidos nas etapas para ser entregue às entidades ambientais legalmente responsáveis.

Em outros estados, como Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, o MTR deve ser gerado online, através do site do órgão ambiental estadual. Ainda assim, a transportadora mantém a obrigatoriedade de possuir uma cópia. Neste caso, todas as empresas preenchem as informações através do site. Os geradores e receptores devem armazenar estas vias por 5 anos, enquanto os transportadores devem retê-las por 3 anos.

Caso o gerador não possua transporte próprio, é fundamental que ele verifique, principalmente, se o transportador possui os requisitos técnicos necessários para transporte do resíduo em questão, além das atribuições federais, estaduais e municipais atualizadas. No momento da venda o gerador deve verificar se as licenças ambientais (federais, estaduais e municipais) do comprador estão em dia, habilitando o tratamento do resíduo, e exigir o preenchimento do MTR, emitindo o CDF.

O arquivamento de toda a documentação é essencial para comprovação da legalidade da operação.

Exemplos de REEE vendidos

Celulares são protagonistas na venda de sucata eletrônica

Celulares são protagonistas na venda de sucata eletrônica

A Ôrganica Brasil destaca alguns exemplos de sucata metálica que são reciclados no mercado:

  • CPU
    • Parte externa
    • Botões e tampas
    • Placas de circuito
    • Cabos
  • COOLER
  • MONITORES
    • Estrutura
    • Monitores de tubo
    • Vidros dos monitores
    • Separação dos vidros
    • Modelos de LCD
    • Placas de circuito
  • NOTEBOOKS
  • OUTROS
    • Teclados
    • Mouses
    • Outros periféricos

Ainda, de acordo com o Resell, é válido ressaltar os celulares, reaproveitados em produtos nas indústrias química, farmacêutica e eletroeletrônica. Para controlar as operações com os resíduos de sua empresa você pode utilizar a planilha gratuita: Gestão de Resíduos – PolenA Polen é uma plataforma online que conecta empresas compradoras com empresas geradoras de sucata eletrônica e outros resíduos, de todo o país. Para fazer a gestão correta dos REEE, vendê-los para empresas que realmente os utilizarão é fundamental. Na Plataforma da Polen, o processo de comercialização se torna mais seguro, uma vez que apenas empresas que se auto-declaram licenciadas ou isentas são autorizadas a se cadastrar na plataforma.

Referências de Valores

A precificação da sucata eletrônica, assim como de outras categorias de sucata, depende de diversos fatores, como: tipo de material, estado do material, quantidade disponível, localização, variação da cotação do dólar, tipos de licitações e situação mercadológica.

Os valores variam por estado, comprador e estão em frequente modificação. O mercado não é completamente aberto, principalmente em relação à cotação dos preços mínimos para venda. Dessa forma, os valores a seguir são somente estimativas para efeitos de comparação. Segundo o Eco-Eletro, os preços médios da sucata eletrônica são:

Tabela de Preços Médios (Eco-Eeletro)

Material Preço (kg)
Placa Mãe R$ 10,70
HD R$ 3,20
Memória R$ 25,00
Processador R$ 50,00
Fonte R$ 0,90
Cabo Flat R$ 1,40
Teclado R$ 0,10
Cabos R$ 2,20
Ventoinha R$ 0,30
Leitor (Drive) CD/DVD/Disquete R$ 0,30
Placa Pesada R$ 0,90
Placa Leve R$ 11,00
Mouse R$ 0,20
Monitor LCD Até R$5,00 a unidade
Moitor CRT (tubo) De R$ 1,50 a R$ 3,50 a unidade
Cabo Flat R$ 1,50
CPU Inteiro Até R$ 10,00 a unidade

Atenção: os valores são pautados em empresas que trabalham apenas com grandes quantidades de resíduos e se aplicam somente a cargas com pelo menos três toneladas de componentes eletrônicos, separados e tratados.

Como vimos antes, as placas eletrônicas podem conter até 17 metais. Desta forma, é fundamental estar atento às variações diárias da London Metal Exchangea principal referência de preço quando falamos de preços de metais, que apresentava os seguintes valores no dia 28/03/19, de acordo com a Shockmetais:

London Metal Exchange – LME (Shockmetais)

Dia Cobre* Zinco* Alumínio* Chumbo* Estanho* Níquel* Dólar**
25/Fev 6.546,00 2.742,00 1.886,00 2.072,50 21.810,00 12.940,00 3,7430
26/Fev 6.471,00 2.741,00 1.870,00 2.063,00 21.925,00 12.815,00 3,7285
27/Fev 6.533,00 2.772,00 1.898,50 2.107,00 21.700,00 12.880,00 3,7595
28/Fev 6.536,00 2.794,00 1.893,00 2.154,00 21.775,00 13.040,00 3,7351
01/Mar 6.572,00 2.839,50 1.890,50 2.152,50 21.800,00 13.160,00 3,7385
Média Semanal 6.531,60 2.777,70 1.887,60 2.109,80 21.802,00 12.967,00 3,7409
04/Mar 6.420,00 2.788,00 1.859,50 2.109,00 21.725,00 13.160,00 feriado
05/Mar 6.553,50 2.787,00 1.868,50 2.091,00 21.575,00 13.450,00 feriado
06/Mar 6.505,00 2.801,50 1.846,00 2.090,50 21.575,00 13.610,00 3,7832
07/Mar 6.458,00 2.785,50 1.841,00 2.096,00 21.550,00 13.380,00 3,8303
08/Mar 6.398,50 2.706,00 1.848,00 2.072,00 21.410,00 13.040,00 3,8487
Média Semanal 6.467,00 2.773,60 1.852,60 2.091,70 21.567,00 13.328,00 3,8207
11/Mar 6.435,00 2.774,00 1.830,00 2.081,00 21.125,00 12.990,00 3,8678
12/Mar 6.510,00 2.857,00 1.851,00 2.070,00 21.285,00 13.150,00 3,8461
13/Mar 6.529,00 2.878,00 1.873,00 2.105,50 21.250,00 12.950,00 3,8129
14/Mar 6.409,00 2.878,00 1.873,50 2.111,00 21.285,00 12.930,00 3,8265
15/Mar 6.410,00 2.839,00 1.868,00 2.053,50 21.340,00 12.845,00 3,8327
Média Semanal 6.458,60 2.845,20 1.859,10 2.084,20 21.257,00 12.973,00 3,8372
18/Mar 6.492,00 2.840,00 1.879,00 2.028,00 21.160,00 12.810,00 3,8344
19/Mar 6.500,00 2.841,00 1.907,50 2.017,50 21.350,00 13.095,00 3,8111
20/Mar 6.487,00 2.876,00 1.923,00 2.013,50 21.375,00 13.195,00 3,7762
21/Mar 6.520,00 2.901,50 1.891,00 2.035,50 21.475,00 13.145,00 3,7897
22/Mar 6.375,00 2.865,00 1.867,00 2.020,00 21.600,00 12.930,00 3,7967
Média Semanal 6.474,80 2.864,70 1.893,50 2.022,90 21.392,00 13.035,00 3,8016
25/Mar 6.328,00 2.839,00 1.856,00 2.007,50 21.450,00 12.765,00 3,8815
26/Mar 6.361,00 2.905,50 1.849,50 1.982,00 21.525,00 12.850,00 3,8770
27/Mar 6.338,50 2.929,00 1.898,50 1.978,00 21.450,00 13.025,00 3,8646
28/Mar 6.385,00 2.949,00 1.896,50 2.010,00 21.450,00 12.780,00 3,9389
Média Semanal 6.353,13 2.905,63 1.875,13 1.994,38 21.468,75 12.855,00 3,8905
Média Mensal 6.449,33 2.843,98 1.870,85 2.056,20 21.437,75 13.063,00 3,8309

Média Semanal: média dos valores de segunda a sexta da respectiva semana, independente do mês consultado.

Média Mensal: média dos valores do primeiro ao último dia do mês registrado.

*Valores dos Metais – L.M.E.: Dólar por tonelada (US$/t)

**Dólar – R$/US$– refere-se à média das taxas de venda praticadas no dia anterior e publicadas pelo Banco Central – PTAX

 

Agora que você está orientado sobre como realizar a venda da sucata eletrônica, não perca mais tempo de comece agora a comercializar os REEE da sua empresa. Caso tenha ficado alguma dúvida, comente abaixo. Compartilhe este artigo nas suas redes sociais e ajude a impactar mais pessoas!

 

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Referências

Global Waste Monitor 2017; G1; Projeto Eco-Eletro; London Metal Exchange; Reciclo Ambiental; Orgânica Brasil; Paineira-USP; Gestão de Resíduos Eletrônicos: Resposta às 10 principais dúvidas que as pessoas tem sobre este assunto no Brasil; Toda Materia; Fragmaq; Resell.

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